POSTPUNK in portuguese

em português para iniciantes:

Nos anos 80 o rock havia se quebrado em mil pedaços por causa do movimento punk que chegou ao auge com os ingleses dos Sex Pistols em 1976 apesar de ter se originado nos EUA.

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A própria indústria teve de se adequar aos novos tempos. E os novos tempos trouxeram o Heavy Metal por um lado e o Postpunk de outro (não nos esqueçamos do Hip Hop).

Se o Heavy Metal era macho o Postpunk era feminino. O Heavy Metal louvava ao virtuosismo, aos ‘caras’ que ‘tocam demais’ e o Postpunk admirava aos que não sabiam tocar absolutamente nada de seus instrumentos.

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O Heavy Metal tinha uma estirpe que descendia dos grandes guitarristas de todos os tempos e o Postpunk tinha admiração por Velvet Underground, Roxy Music (Brian Eno), Bowie e Iggy Pop.

Uma banda foi um marco histórico: The New York Dolls que simbolizava o fim do ‘movimento’ Glam, mas acabou influenciando Metal e Postpunk e durante os 80s os músicos de rock pareciam travestis graças ao enorme choque que os Dolls causaram no ‘primeiro mundo’.

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Dois livros de Simon Reynolds trazem uma maravilhosa narrativa sobre o Postpunk. Vários livros foram escritos sobre determinada banda e sobre algum vocalista, mas ninguém havia pensado ainda em dedicar um livro ao Postpunk como um movimento, explicar o que foi, como foi e a enorme importância que essa cena teve e tem na música pop.

Os livros são Rip It Up and Start Again: Postpunk 1978–1984 e Totally Wired: Postpunk Interviews and Overviews.

O primeiro é uma lindíssima narrativa onde fica claro que os músicos dessa cena eram estudantes de arte e estavam obcecados com o experimentalismo, futurismo, suprematismo, construtivismo, funcionalismo, etc. ,estavam por dentro de todos aqueles manifestos de arte e eram politicamente engajadíssimos.

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O segundo são as entrevistas que Simon realizou com os artistas antes de escrever o Rip It Up…

E quanto ao aspecto feminino do Postpunk é impossível negar que as mulheres brotaram nessa cena muito mais que em outros estilos de rock. Basta olhar para o Brasil onde Rita Lee era talvez a única representante do gênero e de repente nos 80s vêm Paula Toller, Alice Pink Punk, Vange Leonel, Marielli, Fernanda Abreu, Marina Lima, Marisa Monte e mesmo bandas só de mulheres como As Mercenárias e Sempre Livre.

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Enquanto o rock nunca foi sinônimo de inteligência o Postpunk foi caracterizado pela presença marcante de literatos, gente apaixonada por teatro e poesia, frequentadores de galerias de arte e museus, gente apaixonada pelos beatniks e que transformaram os anos 80 num rival dos 60 em originalidade e criatividade.

No Brasil a coisa toda chegou travestida de New Wave e ganhou a adesão da Rede Globo que não demorou a lançar a banda Blitz no programa dominical Fantástico. Na segunda-feira o país todo cantava Você Não Soube Me Amar.

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Como em nosso país quase tudo termina em chanchada a maioria das bandas New Wave não sobreviveu a dois discos e emplacaram menos de três hits que hoje soam como besteirinha sentimentalóide de adolescente classe média.

Como o próprio subtítulo do livro de Simon mostra essa cena Postpunk é datada: “1978–1984”. No Brasil a banda Gang 90 e as Absurdetes gravou em 1983 e a partir daí surge o Postpunk brazuka.

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O mais interessante em tudo isso é notar que as bandas Postpunk desprezavam o rock. Os punks também diziam que desprezavam o rock, mas se você ouve Never Mind The Bollocks dos Pistols ou qualquer coisa dos Ramones vai perceber que a música dos punks era o mesmo rock, mal tocado, mas era rock.

Os Postpunkers por outro lado fizeram Disco, Jazz, Funk e Reggae. Foram muito mais influenciados pelos negros do que pelos brancos. Ouça qualquer coisa da época, de Pil a Legião Urbana e vai perceber que a guitarra fica lá atrás da música e o baixo assume a posição de destaque. Essa é uma característica do reggae e do dub, o baixo na frente e a guitarra atrás. O próprio movimento Two Tone se chamava assim porque nessas bandas tinham negros e brancos.

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O Postpunk adotou os sintetizadores e o ritmo eletrônico o que o lançou nas rádios e nas ‘discothèques’ colocando-os lado a lado com os funkeiros americanos (e não podia ser diferente já que a influência maior era da música de James Brown). Além do que os postpunkers amavam os krautrock alemão de Kraftwerk, Neu e Can além das bandas industriais estadunidenses e européias.

Enfim o Nirvana lança em 1991 o álbum NEVERMIND, ironicamente quase o mesmo nome do primeiro álbum dos Sex Pistols de 1977: NEVERMIND the Bollocks.

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E entre Nevermind (1977) e Nevermind (1991) muita gente acredita que não há nada, mas há uma década repleta de boa música, inspirada e linda que hoje é conhecida como POSTPUNK.

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